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Vivendo os problemas alheios

Janeiro 12, 2009

Durante as gravações de Ray, cantor e compositor cego, Jamie Foxx manteve seus olhos tampados 14 horas por dia enquanto gravava. Isto para ter uma maior experiência sobre a vida de uma pessoa com deficiência visual.

Leonardo DiCaprio aprendeu a falar árabe para atuar no filme Rede de Mentiras.

Christian Bale emagresceu 28 quilos para fazer o filme O Operário.

Christian Bale, O Operário

Christian Bale no filme O Operário

Todos eles fizeram esses esforços para poder entender melhor a vida de seus personagens e reproduzí-los de forma mais realista para os espectadores. Certamente estes hábitos os ajudaram a entender melhor os problemas vividos e suas necessidades.

Provavelmente, se nenhum desses esforços fossem feitos, os filmes seriam reproduzidos da mesma maneira. Porém, não seriam tão convincentes. Perderiam a “mágica”. Possivelmente continuariam sendo o mesmo sucesso de bilheteria que cada um foi. Não se sabe exatamente qual foi diferencial ocasionado por cada um desses esforços, pois os filmes nunca foram feitos sem eles. Portanto, impossível de haver uma comparação.

Mas os esforços foram feitos, e acredito que cada um dos atores sabe porque fizeram e suas consequências diretas em suas atuações.

Isto porque a vivência e a experiência são insubstituíveis para compreender uma determinada situação. Tentar entender como vive um cego simplesmente ouvindo e lendo relatos, porém ainda continuar enxergando torna-se impossível de compreender. Deixar os olhos tampados durante o dia fez com que Jamie Foxx soubesse de forma muito mais real o que é ser cego. Somente algumas reuniões para tentar entendê-los não bastariam.

Fazendo uma comparação com análise de sistemas, é possível perceber que fazemos tudo errado. Justamente o contrário dos atores citados. Sempre falamos da importância de especificar os requisitos, porém, antes de desenvolver um sistema, nos reunímos com os únicos interessados e ficamos ouvindo, anotando, ouvindo, anotando, …. . Quando estes interessados não se lembram de mais nada de relevante, simplesmente terminamos a reunião e entramos numa caverna para “analisar” de bem longe os problemas vivenciados por aqueles que estão necessitando do sistema.

Nenhuma empresa contrata alguém para desenvolver um sistema e aceita ficar pagando para que esta pessoa fique simplesmente olhando o usuário trabalhar por muito tempo. Todos querem resultados rápidos.

Ficar olhando o usuário, trabalhando junto e fazendo as mesmas tarefas seriam o ideal. Pouparia tempo de algumas reuniões, e, provavelmente, teria menos retrabalho em partes do sistema em que o analista não soube compreender direito o que o usuário desejava.

Mas como toda metodologia ideal, financeiramente é inviável de ser feita por completa. Por tanto, mesmo que todos os personagens influentes em análise de sistemas escrevessem livros sobre isso e provassem que funciona, ninguém faria.

Então, para começar dá pra passar uma tarde, um dia. Quem sabe uma semana, só pra ver no que vai dar.

É claro que isso não é tempo suficiente para acabar com as reuniões de especificação de requisitos. E talvez nunca seja possível, afinal é importante formalizar as especificações compreendidas.

Mas caso tenha um pouco de tempo, não custa (muito) tentar.

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Infiel, eu sou

Outubro 14, 2008

Segundo o Wikipedia, livre-concorrência é ”Situação do regime de iniciativa privada em que as empresas competem entre si”.

 A primeira vista, a concorrência perfeita faz com que os preços sejam determinados pela oferta e pela procura, o que acaba sendo, na maioria das vezes, um benefício para nós. Porém, além do preço final, a concorrência faz com que o produto melhore a qualidade, melhore os serviços agregados, e em alguns ramos, aconteça uma corrida tecnológica.

Somos consumidores, clientes e usuários finais. Não necessariamente nessa ordem e às vezes tudo junto. O problema está quando passamos a ser torcedores. Podemos ser torcedores do Flamengo, Corinthias ou Vasco. Gritar com toda força “Flamengo até morrer”, ou algo do gênero. Mesmo em uma fase ruim, estamos lá, torcendo pelo nosso time do corãção. Mas ser um torcedor da Microsoft, Apple ou qualquer outra empresa de qualquer outro ramo, nunca! Jamais!

Antes de tudo, as empresas têm que nos conquistar. Com seus produtos, garantia, atendimento e serviços que nos facilitam a compra e a utilização do produto. Conseguindo manter um preço bom, melhor ainda. E depois que damos nossa confiança a marca, ela ainda tem uma tarefa muito importante: continuar nos conquistando, claro. Porque senão a deixamos, sem nenhum ressentimento.

Só porque gostamos e nos adaptamos com determinado produto, não faz com que tenhamos que vestir uma camisa da empresa e nos tornarmos vendedores sem ganhar um centavo por isto. Esse trabalho que fique com os que tem carteira assinada para tal.

De fato, nenhum produto é perfeito. Quanto mais a empresa que criou. Sempre existirá espaço para melhoras e para novidades. E o nome disso é oportunidade. Mesmo que um produto seja líder absoluto nas vendas e com uma fatia esmagadora de market-share. Existe uma infinidade de empresas que viram sua fatia diminuir. A Sony criou o primeiro toca-fitas, o primeiro discman, mas deixou o mercado de MP3 Players escapar pelas mãos (Pelo menos, por enquanto). Vejam só o Lotus123, ICQ e Netscape. A IBM balançou algumas vezes. Exemplos não faltam. E tudo isso aconteceu por causa de alguma evolução, alguma coisa diferente. Aquilo que ninguém pensou que poderia acontecer. Mas infelizmente, em pleno século XXI, ainda existem pessoas que não acreditam nisso.

Um dos problemas que acaba com a evolução e com a livre-concorrência é alguma das milhões variações das seguintes frases:
“Não troco meu iPod por nada nesse mundo!”
“Não consigo me imaginar usando outro sistema operacional que não seja Windows XP!”
“As batatas do McDonalds são as melhores, então nem experimento outras.”
Pessoas que pensam desta maneira estão fadadas a trabalhar com uma ferramenta arcaica durante um bom tempo. E se o mundo dependesse delas, estaríamos acendendo nossas lareiras batendo pedras.

Por isso dependemos de uma mente aberta. Assim nós poderemos sempre ter acesso ao bom, bonito e barato.

Gostaria de terminar este post com um juramento. O juramento dos não fiéis. A todos os outros que quiserem, podem levantar a mão direita e repetir em voz alta. ( Mas se quiser só ler e fazer já tá bom. )

“Enquanto meu salário não estiver associado a vender determinado produto em nome de tal empresa, serei fiel apenas ao que funciona e ao que melhora minha qualidade de vida! ( e ao meu bolso! ). Estarei sempre atendo as novidades do mercado, não acreditando somente no que dizem as propagandas, não fazendo ou comprando algo porque todo mundo o faz. Consumirei meus produtos sem fazer distinção de marcas. Serei um eterno solteiro, sem me comprometer em nenhum tipo de relação conjugal com qualquer empresa.

São com essas palavras, que eu concedo a mim mesmo, o direito de ser infiel! Amém!”