Vivendo os problemas alheios

Durante as gravações de Ray, cantor e compositor cego, Jamie Foxx manteve seus olhos tampados 14 horas por dia enquanto gravava. Isto para ter uma maior experiência sobre a vida de uma pessoa com deficiência visual.

Leonardo DiCaprio aprendeu a falar árabe para atuar no filme Rede de Mentiras.

Christian Bale emagresceu 28 quilos para fazer o filme O Operário.

Christian Bale, O Operário

Christian Bale no filme O Operário

Todos eles fizeram esses esforços para poder entender melhor a vida de seus personagens e reproduzí-los de forma mais realista para os espectadores. Certamente estes hábitos os ajudaram a entender melhor os problemas vividos e suas necessidades.

Provavelmente, se nenhum desses esforços fossem feitos, os filmes seriam reproduzidos da mesma maneira. Porém, não seriam tão convincentes. Perderiam a “mágica”. Possivelmente continuariam sendo o mesmo sucesso de bilheteria que cada um foi. Não se sabe exatamente qual foi diferencial ocasionado por cada um desses esforços, pois os filmes nunca foram feitos sem eles. Portanto, impossível de haver uma comparação.

Mas os esforços foram feitos, e acredito que cada um dos atores sabe porque fizeram e suas consequências diretas em suas atuações.

Isto porque a vivência e a experiência são insubstituíveis para compreender uma determinada situação. Tentar entender como vive um cego simplesmente ouvindo e lendo relatos, porém ainda continuar enxergando torna-se impossível de compreender. Deixar os olhos tampados durante o dia fez com que Jamie Foxx soubesse de forma muito mais real o que é ser cego. Somente algumas reuniões para tentar entendê-los não bastariam.

Fazendo uma comparação com análise de sistemas, é possível perceber que fazemos tudo errado. Justamente o contrário dos atores citados. Sempre falamos da importância de especificar os requisitos, porém, antes de desenvolver um sistema, nos reunímos com os únicos interessados e ficamos ouvindo, anotando, ouvindo, anotando, …. . Quando estes interessados não se lembram de mais nada de relevante, simplesmente terminamos a reunião e entramos numa caverna para “analisar” de bem longe os problemas vivenciados por aqueles que estão necessitando do sistema.

Nenhuma empresa contrata alguém para desenvolver um sistema e aceita ficar pagando para que esta pessoa fique simplesmente olhando o usuário trabalhar por muito tempo. Todos querem resultados rápidos.

Ficar olhando o usuário, trabalhando junto e fazendo as mesmas tarefas seriam o ideal. Pouparia tempo de algumas reuniões, e, provavelmente, teria menos retrabalho em partes do sistema em que o analista não soube compreender direito o que o usuário desejava.

Mas como toda metodologia ideal, financeiramente é inviável de ser feita por completa. Por tanto, mesmo que todos os personagens influentes em análise de sistemas escrevessem livros sobre isso e provassem que funciona, ninguém faria.

Então, para começar dá pra passar uma tarde, um dia. Quem sabe uma semana, só pra ver no que vai dar.

É claro que isso não é tempo suficiente para acabar com as reuniões de especificação de requisitos. E talvez nunca seja possível, afinal é importante formalizar as especificações compreendidas.

Mas caso tenha um pouco de tempo, não custa (muito) tentar.

Publicado em janeiro 12, 2009, em Uncategorized e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Christian Bale é muito foda, esse filme é bom demais!
    Não sabia que tinham sido 28kg, doideira…

  2. Mas como toda metodologia ideal, financeiramente é inviável de ser feita por completa.

    Tentar viabilizar financeiramente a execução completa da metodologia ideal, talvez por partes, e vender o pacote às empresas.

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